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Toxicologia

Acidentes químicos

A Organização Mundial da Saúde – OMS utiliza os termos acidente químico e emergência química para se referir a um acontecimento ou situação perigosa que resulta da liberação de substâncias que representam um risco para a saúde humana e/ou o meio ambiente, a curto ou longo prazo. Estes acontecimentos ou situações incluem incêndios, explosões, fugas ou liberações de substâncias tóxicas que podem provocar doenças, lesões, invalidez ou a morte, freqüentemente de grande quantidade de seres humanos.

Motoristas expostos a risco em acidente envolvendo carreta de amônia. Rodovia Fernão Dias

Motoristas expostos a risco em acidente envolvendo carreta de amônia. Rodovia Fernão Dias

Embora a contaminação da água ou da cadeia alimentar por causa de um acidente químico possa afetar populações dispersas, freqüentemente a população exposta está dentro ou muito próxima de uma zona industrial.

Vazamento de combustível em posto de revenda – São Paulo.

Vazamento de combustível em posto de revenda – São Paulo.

Em uma área urbana, a população exposta pode estar próxima a um veículo acidentado que transportava substâncias perigosas.

São menos freqüentes cenários onde a população exposta está a uma certa distância do lugar do acidente. Muitas vezes a curiosidade e o próprio interesse pela carga/produto atrai perigosamente moradores e transeuntes para as proximidades do acidente.

Esta definição deve ser proposta junto com o conceito de “incidente químico”, no qual uma exposição originada por liberações de substâncias químicas pode gerar como conseqüência algum tipo de doença ou distúrbio. A quantidade de pessoas afetadas por um incidente químico pode ser mínima (mesmo uma só). No entanto, a doença, incapacidade ou morte, podem se manifestar em um lapso de tempo longo, mesmo anos depois do acidente.

Aspectos toxicológicos para a assistência a um acidente químico
Alguns dos desastres que aconteceram mais recentemente revelaram a necessidade do conhecimento da toxicidade dos compostos utilizados na indústria. Este conhecimento é essencial para a aplicação de um tratamento efetivo e rápido dos efeitos tóxicos, bem como para o tratamento de intoxicações acidentais. No caso do acidente de Bhopal, que aconteceu em 1984 na Índia, onde era fabricado o inseticida Carbaril, houve uma liberação de isocianato de metila. Nessa época, pouco ou nada se conhecia sobre a toxicidade desta substância e como conseqüência o tratamento das vítimas foi incerto e possivelmente inadequado.

Frente à enorme quantidade de substâncias químicas atualmente disponíveis, a pergunta que surge é: “Todas as substâncias químicas são tóxicas?”. Provavelmente a melhor resposta seria: “Não há substâncias químicas seguras, mas sim maneiras seguras de utilizá-las” (Timbrell, 1989).

No documento OPAS/OMS (1998) aconselha-se que as autoridades locais deveriam estar preparadas para tomar parte no processo de conscientização e preparação para acidentes químicos, ou em um programa semelhante, incluindo o intercâmbio de toda a informação importante com a comunidade e a indústria local. Assim, os hospitais e outras instalações destinadas ao tratamento, os profissionais de saúde, os centros de informação toxicológica e os centros para emergências químicas deveriam participar neste processo.

Sob este ponto de vista, considera-se importante que os integrantes do sistema de combate tenham conhecimentos básicos de toxicologia para a assistência de uma emergência química.

Estes conhecimentos facilitarão as atividades dos profissionais que participam na assistência da emergência bem como a proteção adequada para evitar os efeitos tóxicos.

Conhecer os riscos ajuda a prevenir exposições às substâncias químicas

Toxicologia
A toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos produzidos pelas substâncias químicas sobre os organismos vivos. Assim, o indivíduo humano, os animais e as plantas podem estar expostos a uma grande variedade de substâncias químicas. Estas podem ser desde metais e substâncias inorgânicas até moléculas orgânicas muito complexas.

Segundo o Programa Nacional de Toxicologia do Serviço de Saúde Pública dos EUA (EUA, 1999), existem naquele país 80 000 substâncias químicas às quais os habitantes podem estar expostos através de produtos industriais e de consumo, como também quando estão presentes nos alimentos, na água encanada e no ar que é respirado. Geralmente, supõe-se que relativamente poucas destas representam um risco significativo para a saúde humana, nas concentrações de exposição existentes, e que os efeitos na saúde produzidos pela maioria delas são geralmente desconhecidos.

Em 1998, o inventário das substâncias químicas comerciais na Europa registrou 100.000 comercializadas para vários propósitos. Segundo a Associação das Indústrias Químicas da República Federal da Alemanha apenas 4600 substâncias são produzidas em quantidades superiores a 10 000 toneladas anuais. Estas substâncias seriam as que tem maior probabilidade de estarem envolvidas em acidentes químicos. O resto das substâncias são utilizadas em laboratório ou em produtos manufaturados, em pequena escala.